Welcome.

Embora eu não possa oferecer-lhes todo o meu entusiasmo ao escrever algumas palavras , eu posso as oferecer e com elas terem outras sensações
.

Postagens populares

Páginas

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Eu não: quero é uma realidade inventada



...uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.

Clarice Lispector

Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.


Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

Clarice Lispector

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nada mais a declarar.


Cada dia é util para comprovar a ineficiencia de minha existencia, tenho sido burra expulsando de mim aqueles que mais me amavam pra deixar outros cuja amizade sempre fora um negocio do qual eu nunca acabaria ganhando um vintém sequer.Não usarei o talvez nem o provavelmente , pois desta situação meu corpo se torna ainda mais presente aprofundando em mim uma imensa solidão ao por do sol, quando todos os outros se vão e eu sou apenas aquela que fica à margem do lago de lagrimas sofrendo como se aquilo tudo fosse essencial pra mim, quando a verdade é que por ser tola eu mereça todos os espinhos , e das rosas nenhuma pétala,nem carinho.
Me encontro jogada ao léu, ainda que meus pensamentos sejam opostos ao revelar uma ideia tão sensata sobre meu ego, meu verdadeiro eu se confunde em quem eu quero ser, e não sou.
Não porque não quero, e sim pelo meu passado que não me deixa esquecer quem sou.